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Primavera Àrabe e o Islam



Para falarmos de Primavera Árabe, temos que ter alguns cuidados, simplesmente porque muitos vêm misturando assuntos políticos-econômicos com religiosos.
Nesse post vamos ver alguns tópicos para podermos entender melhor esse contexto histórico tão marcante.

Primeiro veremos "O que é Primavaera Árabe e alguns Países", "O Islam é culpado por esses fatos?", "O que a Irmandade Muçulmana significa?" e "O que vem a ser a lei da 'Sharya?'"


Definindo Primavera Árabe
Quando falamos de Primavera Árabe, não estamos nos referindo à estação da primavera, óbviamente. Estamos no referindo às ondas de protestos e rebeliões no norte da África e no Oriente Médio que vêm acontecendo.
mapa de alguns países e seus líderes
Podemos dizer que essa onda revolucinária começou no final de 2010 na Tunisia, com a Revolução de Jasmim (flor simbolo do país), quando  Mohamed Bouazizi, um vendedor de rua, se auto imolou (ateou fogo a si mesmo) por ser vítima de cobranças indevidas por parte do governo para poder trabalhar com seu carrinho de frutas. Ele estava desempregado e seu carrinho era o seu modo de sobreviver, mas todos os dias a polícia cobrava proprinas a ele para poder continuar trabalhando na rua.
Mohamed morreu em janeiro de 2011 e então começaram os protestos na Tunísia. O presidente Zine El Abidine Ben Ali, foi deposto após 23 anos de ditadura.

No Egito, a Revolução da Praça Tahrir (Liberdade), iniciou logo após a Tunísia. e em 11 de fevereiro o presidente ditador Hosni Mubarak renunciou após 18 dias de protestos em massa e deu final a um mandato de 30 anos. 
"O egípcio Khaled Said já tinha morrido quando a contestação massiva de Janeiro chegou ao Egipto, mas o jovem de 28 anos, vítima da violência policial e do estado de emergência que proibia as manifestações, tornou-se num ícone da Primavera Árabe no Egipto. “Somos todos Khaled Said” era o nome de uma página do Facebook e o seu administrador, Wael Ghonim, que trabalha para a Google, acabou por se tornar também numa figura da revolução."

A revoluçao do Egito teve um fator inédito no modo de chamar as pessoas para as ruas. Os jovens egípcios, muitos desempregados e com alto nivel escolar, utilizaram a internet como meio de divulgaçao. O Facebook, o Twitter e os blogs foram primordiais para fazerem os jovens se mobilizarem e sairem às ruas gritando por liberdade, melhor modo de vida, emprego, fim de maus tratos pelos militares e fim da pobreza. O Egito é o maior país árabe com 80.000 habitantes, embora grande parte da população vive no limite da linha pobreza ou logo abaixo dela.
O jovens precisam de emprego e esperança. Já os acima dos 30 anos não têm qualquer expectativa de casamento, pois, sem um emprego que suporte os gastos do casamento,  as altas exigências da noiva com anel de noivado, apartamento imobiliado e o dote de casamento em si, eles se vêm totalmente frustrados e sem esperanças no futuro. Muitos egípcios do sexo masculino saem do país em busca de trabalho e outros se casam com estrangeiras, pois para essas o casamento não exige tal esforço e vão morar no país da esposa. Já para as egípcias o problema é maior, pois, como a maioria é muçulmana elas só poderão casar com muçulmanos e sem nehuma chance com estrangeiros.
No campo da educação a maioria dos jovens possuem universidade, mas não tem emprego para todos. Um alto índice de corrupção nas universidades pode ser observado para que muitos não se formem tão cedo e assim não entrem no mercado de trabalho.
Até a data, tem havido revoluções na Tunísia e no Egito, uma guerra civil na Líbia; grandes protestos na Argélia, Bahrein, Djibuti, Iraque, Jordânia, Síria, Omã e Iémen e protestos menores no Kuwait, Líbano, Mauritânia, Marrocos, Arábia Saudita, Sudão e Saara Ocidental.


O Islam é culpado por esses fatos?

"Islamófobos de todo o mundo calem o bico e ouçam o som do poder do povo. A dicotomia artificial que inventaram para o Oriente Médio – ou a ditadura de vocês ou o jihadismo – jamais passou de truque barato. Repressão política, desemprego em massa e comida cara são mais letais que um exército de homens-bomba. Assim se escreve a história real; um país de 80 milhões – dois milhões dos quais nascidos depois de o ditador de hoje ter chegado ao poder em 1981, e nada menos que o coração do mundo árabe – põe afinal abaixo o Muro do Medo e passa para o lado do autorrespeito." Por Pepe Escobar, do Asia Times Online | Tradução: Coletivo VilaVudu
Como vemos todas essas revoluções que estão acontecendo no mundo árabe não têm nada a ver com islamismo. São revoluções puramente politico-econômica onde o povo está pedindo passagem. Chega de desemprego, corrupção, fome, pobreza, jovens sem esperança no futuro!
Então porque se fala em islam o tempo todo, você pode se perguntar. Simplesmente porque estão acontecendo em mundo árabe-islâmico e o ocidente adora ligar islam aos fatos vistos como "revolucionários" ou "terroristas".

Portanto o Islam NÃO é culpado por nenhum desses fatos. Islam é religião, não política ditadora!


Irmandade Muçulmana

É uma organização islâmica fundamentalista que se põe a qualquer tendência secular do mundo islâmico. O lema da organização é: "Deus é o único objetivo. Muhammad o único líder. O Corão a única Lei. A jihad é o único caminho. Morrer pela jihad de Deus é a nossa única esperança". Wikipedia

Veja o que o escritor egípcio, Bahaa Taher, disse ao ser perguntado sobre a Irmandade Muçulmana no blog Pelo Mundo de Adriana Carranca, jornalista especializada em política internacional.

 "Qual é o papel da oposição, da Irmadade Muçulmana, no levante popular?
Nenhum! Isso é o que o governo quer que vocês pensem. Mubarak tem se mantido no poder graças a esse medo do Ocidente de que, se ele sair, o Egito cairá sob um regime islâmico. Nós não queremos isso! Não queremos a Irmandade Muçulmana! Você anotou isso? Não queremos a Irmandade Muçulmana!"
Islamismo e política não podem se misturar. Se quer fazer política, faça, mas não bote religião no meio. Para compararmos, no Brasil temos os partidos Cristãos Democráticos, Cristãos do Brasil e outros tantos, no Egito tem a Irmandade Muçulmana que a possibilidade de ganhar as próximas eleições são mínimas, pois, o povo não quer tal tipo de governo. E o que a sua fé tem com isso?


Lei da Shariah
"A Shariah trata-se da lei estipulada por Deus aos homens que regula a relação do homem com Seu Criador, a relação dos seres humanos entre si e a relação dos indivíduos com a criação, trazendo o roteiro da busca da felicidade e da justiça plena nas relações do homem com tudo a sua volta. Toda a normatização desse direito, parte do livro sagrado islâmico que é o Alcorao e dos ensinamentos do Profeta e Mensageiro de Deus Muhamad Ibn Abdullah, sendo estas fontes imutaveis e eternas, preservadas ha quinze séculos.Muitos são os conceitos e alegações errôneas atribuídas pelos ocidentais ao Islam e ao direito estipulado por ele, tais como a opressão feminina, a rigorosidade das penas, a nao implicação destas leis no tempo moderno, entre outras. Ocorre, porém, que tais alegações demonstram o grande desconhecimento que os ocidentais têm da Shariah e de seus enormes benefícios para a humanidade." Do livro Noções de Direito Islâmico - Shariah de Zuhra Mohd El Hanini (monografia do Curso de Direito).

Por isso o medo dos não-muçulmanos que um grupo islamista ocupe um lugar de poder no Estado e que a Shariah venha a ser o código de conduta do país, porém, por falta de conhecimento e ignorância do assunto, pois, a Shariah são os principais mandamentos de Deus para vivermos em paz e harmonia.

"Temos de combater a falsa percepção de que as pessoas devem fazer a escolha entre a devoção ao islamismo, por um lado, eo pleno gozo dos direitos humanos, de outro. Acreditamos firmemente na compatibilidade do Islã e dos direitos humanos e procurar fazer a nossa parte para promover a compreensão e tolerância.
"Com esta conferência, esperamos renovar os conceitos de paz e tolerância, coexistência e inter-harmonia que existe no Islã", acrescentou
Vice-President Mohamed Waheed das Maldivas na Conferência da ONU
"As Maldivas acredita que três questões devem fazer alguns dos pilares fundamentais que devem ser discutidas e postas em prática no Rio [de Janeiro] no próximo ano", disse ele, referindo-se a conferência de desenvolvimento sustentável a ser realizada na cidade brasileira em junho de 2012.

Veja o documentário feito pela TV Cultura onde mostra a situação da Primavera Árabe.

TV Cultura - Primavera Arabe


Finalizando...

Primavera

Cecília Meireles



A primavera chegará, mesmo que ninguém mais saiba seu nome, nem acredite no calendário, nem possua jardim para recebê-la. A inclinação do sol vai marcando outras sombras; e os habitantes da mata, essas criaturas naturais que ainda circulam pelo ar e pelo chão, começam a preparar sua vida para a primavera que chega.



Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra, nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis acordarão as cores e os perfumes e a alegria de nascer, no espírito das flores.



Há bosques de rododendros que eram verdes e já estão todos cor-de-rosa, como os palácios de Jeipur. Vozes novas de passarinhos começam a ensaiar as árias tradicionais de sua nação. Pequenas borboletas brancas e amarelas apressam-se pelos ares, — e certamente conversam: mas tão baixinho que não se entende.



Oh! Primaveras distantes, depois do branco e deserto inverno, quando as amendoeiras inauguram suas flores, alegremente, e todos os olhos procuram pelo céu o primeiro raio de sol.



Esta é uma primavera diferente, com as matas intactas, as árvores cobertas de folhas, — e só os poetas, entre os humanos, sabem que uma Deusa chega, coroada de flores, com vestidos bordados de flores, com os braços carregados de flores, e vem dançar neste mundo cálido, de incessante luz.



Mas é certo que a primavera chega. É certo que a vida não se esquece, e a terra maternalmente se enfeita para as festas da sua perpetuação.



Algum dia, talvez, nada mais vai ser assim. Algum dia, talvez, os homens terão a primavera que desejarem, no momento que quiserem, independentes deste ritmo, desta ordem, deste movimento do céu. E os pássaros serão outros, com outros cantos e outros hábitos, — e os ouvidos que por acaso os ouvirem não terão nada mais com tudo aquilo que, outrora se entendeu e amou.



Enquanto há primavera, esta primavera natural, prestemos atenção ao sussurro dos passarinhos novos, que dão beijinhos para o ar azul. Escutemos estas vozes que andam nas árvores, caminhemos por estas estradas que ainda conservam seus sentimentos antigos: lentamente estão sendo tecidos os manacás roxos e brancos; e a eufórbia se vai tornando pulquérrima, em cada coroa vermelha que desdobra. Os casulos brancos das gardênias ainda estão sendo enrolados em redor do perfume. E flores agrestes acordam com suas roupas de chita multicor.



Tudo isto para brilhar um instante, apenas, para ser lançado ao vento, — por fidelidade à obscura semente, ao que vem, na rotação da eternidade. Saudemos a primavera, dona da vida — e efêmera.



Texto extraído do livro “Cecília Meireles – Obra em Prosa – Volume 1″, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1998, pág. 366.
 
 
Pesquisa por 
Criss Freitas

Fontes



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